Igreja Cristã Gileade

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terça-feira, 16 de agosto de 2016

O VERDADEIRO CULTO PARA GLÓRIA DE DEUS


Leitura bíblica: João 4.23,24 e 15.8

“Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade […] Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos”.

Antes de entrarmos na mensagem gostaria de dizer que não sou contra o cristão se congregar. A Bíblia é bem clara sobre isso em Hebreus 10.25. o termo grego presente na tradução “congregar” (1), é muito familiar ao usado para sinagogas judaicas (2). E nem sou contrário ao cristão separar momentos para oração e meditação na Palavra de Deus, etc., conforme manda a Bíblia (Js.1.8; Mt.6.6). Que você não me compreenda mal. Tudo bem? Então vamos lá:

O que entendemos sobre culto a Deus? Será que restringe apenas ao momento dos louvores e adoração numa igreja local? Como podemos saber se estamos prestando culto para glória de Deus? Nossas canções louvam a quem? A Deus ou ao homem? Quem é louvado nas letras de nossas canções? Elas glorificam, se dirigem a Deus?

Nossa vida tem que ser para glória de Deus. E para que isso ocorra, nossa compreensão de culto não pode ter limitações. Pois Deus é e estar acima de tudo que nos cerca. Transcende a todo o nosso contexto. A Bíblia nos diz “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn.1.1 ARA). Ele já existia quando tudo criou. O universo formado de tempo, espaço e matéria é obra de suas mãos: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”. (Sl.19.1 ARA). Assim, o verdadeiro culto para glória de Deus podemos classificar em quatro pontos:

1o – É aquele que não é limitado a um lugar (ao espaço).
Em João 4.23,24 temos a resposta de Jesus a inquietação da mulher samaritana sobre onde deveria se prestar culto a Deus. Jesus mostra a esta mulher que o Pai não está preocupado onde devemos adorá-lo. Infelizmente nós limitamos Deus a um espaço. Enquanto que ele deveria preencher todas as esferas de nossa vida.

O verdadeiro culto para glória de Deus transcende ao espaço. Nos focamos muito no culto do Antigo Testamento e perdemos o foco da proposta de culto do Novo Testamento que Jesus mostrou a mulher samaritana, que é “como” adoramos a Deus e não “onde”.

O rei Salomão quando terminou de construir o templo para habitação de Deus e foi inaugurá-lo se deparou com a grandeza divina e a pequenez de nossa noção sobre ele (1Rs.8.1-11) por isso disse: “Mas, na verdade, habitaria Deus na terra? Eis que os céus, e até o céu dos céus, não te poderiam conter, quanto menos esta casa que eu tenho edificado”. (idem v.27 Bíblia Hábil).

O profeta Isaías ao contemplar a glória do Senhor em meio ao clímax de sua visão pôde perceber: “… as orlas do seu manto enchiam o templo”. (Is.6.1 ARA). O templo não cabia se quer as orlas do manto divino. Uma revelação clara da transcendência do divino.

2o – É aquele que não está limitado ao tempo.
Jesus disse a mulher samaritana que “Deus é espírito”. Dentre as várias definições da palavra grega “pneuma” da qual traduz-se para “espírito” temos uma que é bem interessante: “… simples essência, destituída de tudo ou de, pelo menos, todo elemento material”. Isso implica em dizer que Deus está fora da esfera material. Que ele existe antes de tudo. Sendo o tempo uma associação material, humana. Deus está além disso. Observe, por exemplo, nos seis dias da criação. Em todos os dias há uma contagem do tempo “houve tarde e manhã” (Gn.1.5,8,13,19,23,31), entretanto, quando ele vai cessar as obras da criação a Bíblia diz que abençoou o 7o dia, mas não diz a contagem de tempo deste dia. Não encontramos a mesma expressão: “houve tarde e manhã”. Isso ocorre porque o tempo pertence ao mundo material e não ao mundo espiritual. O descanso divino (metáfora de que Deus cessou de criar) é por toda eternidade. 

Deus criou o tempo. Veja Gênesis 1.14: “E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos”. Por isso quando lemos Jesus dizer ao ladrão: “Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”. (Lc.23.43 ARA), não conseguimos compreender a grandeza de suas palavras. Jesus disse a mulher samaritana que os verdadeiros adoradores adorariam ao pai em espírito e em verdade. Sendo assim, não podemos limitar nosso culto ao tempo. 

Quando começa o culto a Deus? Existe um horário? Meu querido… o culto a Deus começou desde o dia em que seus olhos abriram, quando você veio a nascer. Ali começou o culto. As Escrituras nos dizem: “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele”. (Cl.1.16-17 Bíblia Hábil). O que você tem feito com sua vida? Tem sido para glória de Deus? Sua vida tem propósitos? Esses propósito são para glória de Deus?

O verdadeiro culto para glória de Deus é aquele que se estende ao tempo, a dias, as datas, a momentos. Paulo repreende aos gálatas por terem limitado o culto a Deus a dias, meses, tempos e anos. (Gl.4.8-11).

Por toda a nossa vida temos que cultuar a Deus. Mas como? No seu trabalho, na sua família, na escola, na faculdade, nas realizações, nas conquistas, etc. O Apóstolo Paulo disse: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus”. (1Co.10.31 Bíblia Hábil). Só o pecado que não é para a glória de Deus, entretanto as demais coisas que fazemos são para sua glória e devemos canalizar para esse fim e não desperdiçar um instante se quer.

3o É aquele que não está limitado a matéria.
Infelizmente julgamos a espiritualidade do culto por aquilo que vemos, sentimos e ouvimos. Pelo som da voz do pregador, pela dinâmica de nossos cultos. Enfim, pelo que é visível; e acabamos caindo na mesma situação do profeta Samuel quando foi a casa de Jessé escolher o novo rei de Israel. Sua seleção prendia-se ao material, ao que via com os olhos, foi então que Deus lhe disse: “Porém o SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração”. (1Sm.16.7 Bíblia Hábil). Nos baseamos no empirismo, nos cinco sentidos, comportamos como incrédulos, enquanto que deveríamos viver pela fé. Conforme nos exorta o apóstolo Paulo: “Porque andamos por fé, e não por vista”. (2Co.5.7 Bíblia Hábil). A Bíblia nos diz: “ORA, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem”. (Hb.11.1 Bíblia Hábil).

Ter alegria não significa que estamos prestando um culto verdadeiro a Deus, pois a alegria não é capaz de fundamentá-lo. Vejam o povo de Israel no arraial enquanto Moisés estava no monte Sinai falando com Deus. A Bíblia nos diz que o povo se alegrava, e festejava, mas o culto prestado era a um bezerro de ouro. (ver Êx.32.17-19).

Você já parou pra pensar porque Deus condena a idolatria? Porque é um culto falso, limitado a matéria, ao que se vê. Fugindo da verdadeira identidade e perfil do divino, que é, dentre tantas coisas, invisível, espiritual (ver 1Tm.1.17). A compreensão errada sobre Deus é aquela que o limita a matéria. E quando isso ocorre, o Deus dessa compreensão não é verdadeiro, é um ídolo.

A quem você cultua se você limita tudo ao visível, ao que se vê? Sua fé depende de objetos? Você precisa de imagens de esculturas? Sua adoração é em espírito? Ou você precisa ver, ouvir, sentir para crer? O tipo de sua adoração determinará se ela é "em espírito e em verdade". (Jo.4.24 Bíblia Hábil).

4o É aquele em que produzimos frutos.
Qual é a maior alegria de um pai com seus filhos? É quando eles dizem que o ama? É quando eles estão perto dele? Ou é quando seus filhos começam a produzir, se realizar na vida, casar, lhe dão netos?

Em João 15.8 Jesus deixou bem claro que a alegria do Pai celeste é quando damos frutos. O Pai é glorificado verdadeiramente quando isso ocorre. Notem que Jesus diz no contexto que o Pai é o agricultor (idem v.1). Ora, em que momento o agricultor se alegra? Quando ele está capinando o chão? Arando a terra? Lançando a semente? Quando tem que ficar vigiando a plantação para que nem as lagartas, nem os pássaros venham a destruí-la? Ou é quando a plantação lhe dar frutos? Jesus mostrou nesta passagem que o Pai é glorificado verdadeiramente quando isso ocorre.

Cadê teus os filhos espirituais? Quantas pessoas você tem influenciado e levado a ser um discípulo de Jesus? Quantas pessoas foram alvos diretos de seu evangelismo e discipulado? Criança não gera filhos, dar trabalho, chora por tudo, se vê como o centro do universo, quer tudo na boca, é totalmente dependente dos outros, se deixar só algo de errado vai fazer, ESPIRITUALMENTE falando, o que somos? Olhando para essas características em nossa vida espiritual, quem somos?

Conclusão.
Só teremos uma vida para a glória de Deus se trouxermos o culto a Deus para fazer parte de toda nossa vida. E mesmo que façamos isso, não será o suficiente para glorificá-lo o tanto quanto ele é digno. A Bíblia diz: “Do nascer ao pôr do sol, louvado seja o nome do SENHOR!”. (Sl.113.3 AXXI). Não há sentido para vida e nem por tudo ser criado, senão para a glória de Deus. Quando você nasceu, os teus pulmões se abriram para que você pudesse louvá-lo, sua mente, sua inteligência, sua existência tem um propósito: a glória de Deus. A Bíblia diz: “Todo ser que respira louve ao SENHOR. Aleluia!”. (Sl.150.6 ARA). Quando acaba o culto? Quando você parte para Deus. Pois, a Bíblia também diz: “Os mortos não louvam o SENHOR, nem os que descem à região do silêncio”. (Sl.115.17 ARA). Portanto, trate de fazer de tua vida uma expressão de louvor enquanto vives.

Referências e obras consultadas:

(1) episunagoge: uma reunião em um lugar, assembleia.

(2) sunagoge: ajuntamento, assembleia dos judeus reunidos para ofertar orações e escutar leituras e exposições das escrituras; reuniões deste tipo aconteciam todos os sábados e dias de festa; mais tarde, também no segundo e quinto dia de cada semana; nome transferido para uma assembleia de cristãos formalmente reunidos para propósitos religiosos.

Léxico grego de Strong da Bíblia Online 3.0 módulo avançado – SBB