segunda-feira, 1 de outubro de 2012

RESGATANDO OS ALICERCES DA FÉ CRISTÃ PARA QUE OUTROS POSSAM VIVER


Texto base: Mateus 16.13-20
A necessidade de se evangelizar, fazer missões, cumprir o IDE que Jesus nos deu, só vai ter relevância se entendermos o que se diz aqui nessa passagem. Pois, as intenções poderão ser outras, ou até mesmo não existirem. Jesus toca na questão primordial: qual será a motivação de vocês? Porque eu sou um profeta ungido? Porque sou como Elias? Como João Batista? Jeremias? Se em alguns dos discípulos não fosse despertado a confiança de quem verdadeiramente ele era, não faria sentido comissioná-los posteriormente para fazerem alguma missão.
Vejo que a disposição para cumprir o VÁ (ide) dado por Jesus em Mateus 28.19; Marcos 16.15,16 e ainda Lucas 24.46-48; tem seu nascimento nessa passagem. Não fará nenhum sentido e para muitos não tem feito por causa de uma visão já pré-formada pelo tradicionalismo eclesiástico do que se diz nessa passagem. De fato entender o que se quer dizer aqui mudará nossa postura para a vida da igreja e a sua missão!

1)  O que a igreja diz sobre Jesus é igual ao que dizem as demais culturas, sociedades e religiões do mundo? (verso 13,14).
"Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas".

De nada adiantará cumprir o VÁ (ide) de Jesus se o que dizemos sobre Ele é o mesmo que o povo entende. Não vai causar mudança, conflito, despertamento, apenas conformação de pensamentos. É muito cômodo dizer para o mundo que Jesus foi um profeta, um mensageiro, um vidente. Isso existe em todas as religiões e culturas do mundo. Afirmar que Jesus é “filho da humanidade” é amistoso. Pregarmos uma mensagem humana, motivacional, de auto-ajuda, esse tipo de discurso é muito bem vindo no meio de qualquer sociedade ou cultura.

2)   Olhe para os evangelhos e veja a vida de Jesus, olhe para as obras dos apóstolos, olhe para o testemunho dos profetas e responda-se: Quem foi Jesus? (verso 15,16).
"Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo".

Sinceramente, alguém olhar para os evangelhos e ver a vida de Jesus, a obra dos apóstolos e o testemunho dos profetas sobre quem é o Messias. Com certeza não tem como tomar uma postura de omissão e descompromisso para com a ordem de Jesus: Ide! A convicção de quem é Jesus apenas intelectualmente não é o suficiente para se dispor. Uma visão deformada pelo tradicionalismo de quem é Jesus pior ainda. Essa convicção tem que descer para o coração! Veja o que disse o apóstolo Paulo: “Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação”. (Rm.10.10). Note que depois que Paulo primeiro considera isso em sua própria vida e na vida daqueles em que escreve essa carta é que comissiona a igreja ao IDE: “E como ouvirão, se não há quem pregue?” (idem v.14b). Isto é, não adianta pregar a Cristo sem uma convicção pessoal de coração e experiência íntima com ele.

3)      Bem aventurado todo aquele que entende isso (verso 17).
"Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus".

O apóstolo Pedro prontamente respondeu a pergunta de Jesus com uma convicção de coração acompanhada de uma experiência pessoal com Jesus. Ele ponderou os fatos ocorridos desde o primeiro encontro com Jesus até aquele momento. Ele viu Jesus curar sua sogra, disse onde tinha peixes para lançar a rede depois de uma pescaria fracassada, ele viu Jesus suprir a falta de vinho no casamento em Caná da Galiléia, viu os pães e os peixes alimentarem cinco mil homens, viu a ressurreição da filha do rabino Jairo (a Talita), viu suas atitudes diferentes dos demais homens: Ele viu Jesus perdoar a mulher adúltera enquanto os outros queriam condená-la; ele viu Jesus purificar o templo dos que faziam comércio, ele viu Jesus tocar os leprosos, deixar ser lavados os seus pés por uma mulher de desonra, viu ele si importar com o pobre cego em Jericó, viu ele si importar com uma mulher doente de hemorragia no meio de uma multidão e chamar um cobrador de impostos trapaceiro para jantar em sua casa. Pedro pôde concluir: “Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo”. Isso é ser BEM-AVENTURADO. Quando alguém chega a esse entendimento de mente e coração de quem é Jesus. Esse é BEM-AVENTURADO! Como ele próprio havia dito: “Bem-aventurados, porém, os vossos olhos, porque vêem; e os vossos ouvidos, porque ouvem. Pois em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram; e ouvir o que ouvis e não ouviram”. (Mt.13.16,17). E para todo aquele que hoje compreende isso: “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram”. (Jo.20.29).

4)  A igreja de Cristo só é edificada e o inferno só será saqueado se os cristãos entenderem isso. (verso 18).
"Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela".

Enquanto não houver essa compreensão das Escrituras sobre quem é Jesus, uma experiência pessoal com Ele; um entendimento do por quê veio ele, a igreja não é edificada (o cristão não é edificado, não tem crescimento espiritual) e o inferno sempre prevalecerá por várias gerações tragando vidas e mais vidas. Se Jesus não for a pedra fundamental, a base da fé da igreja, sua mensagem de salvação ao mundo, não há alicerce que sustente essa igreja local. Sem uma compreensão de que o inferno existe e que vidas vão para lá após a morte como diz Hb.9.27; Lc.16.19-31; Jo.5.24; 2Pe.2.4; Mt.10.28; Ap.21.8; etc. Não há urgência na pregação e nem muito menos compaixão.
O próprio Pedro tempos depois escreveu a igreja de Cristo: “Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo”. (1Pe.2.4,5). Quando se compreende a mensagem de Jesus é quem ele é, nos colocamos como pedras para construção desta “casa espiritual”, da “igreja de Cristo”. Isso envolve inclusão, voluntariedade, disposição, partilhar.

5)   Quando você se colocar como pedra para edificação, então receberás vidas salvas (verso 19).
"Dar-te-ei as chaves do reino dos céus...".

Jesus só envia vidas salvas para uma igreja que tenha pessoas que sejam bem-aventuradas, que compreenderam a mensagem, que sabem quem ele é. Veja que Jesus disse a Pedro que ele era bem-aventurado, que a igreja seria edificada, que as portas do inferno não resistiriam, e depois ele fecha com grande festa: “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus”. Você sabe o que quer dizer isso? Colocar para dentro do céu vidas salvas, redimidas, alcançadas pela graça de Deus. Essas promessas não dizem respeito somente a Pedro, um homem específico. Não! Essa promessa é dada a todo aquele que tiver a compreensão e a experiência que Pedro teve sobre Jesus. Por isso que Pedro em sua carta chama a igreja de sua época e nos chama hoje também de “pedras”. O que você é hoje? Pedra ou areia? Essa promessa se cumpriu na vida de Pedro no dia de pentecoste quando ele abriu a boca para testemunhar de quem cria: JESUS. E no fim de sua mensagem quase três mil vidas se converteram ao evangelho (At.2.41). E em Atos 2.47 diz: “... Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos”. Isso é a chave do reino dos céus se abrindo!