Igreja Cristã Gileade

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domingo, 30 de março de 2008

TEOLOGIA DE FUNDIÇÃO OU TEOLOGIA DA REVELAÇÃO?


Certo jovem me escreveu uma frase de Rubem Alves no orkut que define bem a Teologia de Fundição: “... Teologia é rede que tecemos para nós mesmos, para nela deitar nosso corpo. Ela não vale pela verdade que possa dizer sobre Deus (seria necessário que fôssemos deuses para verificar tal verdade); ela vale pelo bem que faz à nossa carne.”. A Teologia de Fundição é a mesma desenvolvida pelos povos pagãos que existiram no mundo antigo. Esses povos foram vizinhos de Israel e estão bem presentes nas narrativas do Velho Testamento. Isso se dá pelas constantes apostasias do povo de Israel que facilmente se seduziam pela Teologia de Fundição dos seus vizinhos. Era mais fácil fazer um deus do que aceitar Yahveh. Pois é muito complexo e muito acima da razão crer e aceitar a Teologia da Revelação. Os mistérios, os atributos divinos, a soberania e etc. eram de fato muito além de suas mentes.


A Teologia de Fundição foi claramente reprovada por Yahveh pelo fato de ser uma adoração falsa e de ser uma compreensão errada a respeito de Deus. O segundo mandamento fala claramente: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra...”. (Ex.20.4 confira também: Lv.19.4; Dt.27.15; 1Rs.14.9; 2Rs.17.16). Fazer teologia criando ao nosso bel prazer aquilo que chamamos de Deus e adorarmos é um sinal de apostasia e de grande falta de temor a Deus. Uma vez que Ele tem se revelado tanto na Criação como nas Escrituras. Foi por isso que Paulo repudiava o culto romano (Rm.1.18-25).

Teve um momento na história do povo hebreu que o seu líder chamado Josué se viu obrigado a estabelecer um marco entre ele e o povo: “Porém, se vos parece mal servir ao SENHOR, escolhei, hoje, a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais que estavam dalém do Eufrates ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao SENHOR”. (Js.24.15). Isso porque Yahveh não reparte a sua glória com ninguém e nem a sua honra com a Teologia de Fundição (Is.42.8).

A Teologia de Fundição não é só aquela que praticavam os antigos pagãos, construindo os seus ídolos de pau, ferro, prata, ouro e barro. Nos tempos modernos eles usam menos essa matéria prima. O material usado agora é: filosofia, relativismo e racionalismo. Baseando-se em seus conceitos. Se bem que nos tempos antigos a Teologia de Fundição já usava o “conceito” para fundir seus ídolos. Percebemos isso nas palavras de Oséias: “Agora, pecam mais e mais, e da sua prata fazem imagens de fundição, ídolos segundo o seu conceito, todos obra de artífices, e dizem: Sacrificai a eles. Homens até beijam bezerros!” (idem 13.2). Esse “conceito” vem sendo aperfeiçoado a cada época. Hoje, os “conceitos” sobre Deus com o uso dessa nova matéria prima, a Teologia de Fundição tem construído deuses para cada gosto sem aquele perfil primitivo e antiquado.

Assim como Josué, eu e minha casa continuaremos na Teologia da Revelação, continuaremos crendo no Deus que se revela na Criação como Criador. Não podemos confundir o Criador com a criação; fazer do Criador a criatura; excessivamente distanciar ou aproximar o Criador da criação; negar a criação como autoria do Criador ou aceitar o Criador como criação da criatura. Qualquer um destes conceitos extremos nos levará ao abandono da Teologia da Revelação. E continuaremos crendo no Deus que se revela nas Escrituras (a Bíblia Sagrada), onde a figura central é Cristo – o logos de Deus. Com Sua manifestação antes de Cristo e depois de Cristo. Antes, Deus se revela em forma de tipos, teofanias, de símbolos, de antropomorfismos, de antropopatismos, de narrativas, cânticos e poesias. E depois, Deus se revela em forma humana, usando parábolas. Todos esses recursos que Deus usou para se revelar não são espirituais ou divinos. São os nossos próprios que Ele usou como “veículo da sua revelação”. Agora, não podemos confundir Deus com o veículo da sua revelação. Isso Deus já advertia Israel na antiguidade: “Guardai, pois, cuidadosamente, a vossa alma, pois aparência nenhuma vistes no dia em que o SENHOR, vosso Deus, vos falou em Horebe, no meio do fogo”. (Dt.4.15). Note a descrição de Deus em orientar o seu povo a não confundi-lo (confira os versos seguintes). Pois isso era e é uma porta aberta para a Teologia de Fundição. Como vemos hoje muitos pastores e teólogos relacionais mergulhados na confusão dos antropomorfismos e antropopatismos com o Criador.

Uma coisa devemos admitir na Teologia da Revelação, que o que nos foi revelado não é pleno, ou seja, não conhecemos a Deus plenamente. Somente o Espírito de Deus: “... as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus”. (2Co.2.11). Bem como o próprio Filho de Deus: “... ninguém conhece o Pai, senão o Filho...”. (Mt.11.27). Seu conhecimento e seu poder não são exauridos no universo, nem são demonstrados em sua totalidade (Dt.29.29). Atualmente é até impossível Deus se revelar plenamente a suas criaturas, pois o finito não alcança o infinito. Paulo já falava sobre isso, mas acreditava numa revelação plena na parousia de Cristo: “... agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido”. (1Co.13.12).

O que leva muitas pessoas para o lado da Teologia de Fundição é a falta de humildade em reconhecer que somos incapazes de mensurar Deus. Paulo reconhecia isso: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!”. (Rm.11.33-36). João advertia a não nos arriscar em querer definir totalmente Deus: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos”. (1Jo.5.21).

Em nome da razão, preferimos submeter a revelação divina aos moldes de nossa compreensão daquilo que é racional. Daí partimos para a fundição daquilo que propomos que Deus seja. Como o povo de Israel fez no deserto, fundindo um bezerro de ouro, confeccionado pelo próprio sacerdote de Yahveh – Arão. E depois dele ter feito o ídolo disseram: “... São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito”. (Êx.32.4).

Deus se pode conhecer através da criação e da Bíblia Sagrada. Não admitir que Deus se revelou é negar as obras da criação: "Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos". (Sl.19.1); é negar a comunicação de Deus através da Bíblia: "... homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo". (1Pe.1.20); é negar a revelação de Jesus Cristo como Filho de Deus: " Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho...". (Hb.1.1,2).

Tudo o que a ortodoxia cristã professa até hoje é produto da Teologia da Revelação.