sábado, 18 de março de 2017

LIÇÕES DA ENTRADA DE JESUS EM JERUSALÉM


Texto áureo: João 12.12-26

Jesus está qui nesta passagem vivendo o seu momento especial, de glória, que não poderia ofuscar ou iludi-lo do seu real momento de glória que não era esse. Sua entrava triunfal em Jerusalém é registrada nos quatro evangelhos (Mt.21.1-11; Mc.11.1-1; Lc.19.28-40). Jesus está aqui a seis dias antes da Páscoa (Jo.12.1). Antes deste evento Jesus havia ressuscitado Lázaro (Jo.11), um milagre que deixou muitos judeus maravilhados e creram em Jesus (Jo.11.45) e os principais sacerdotes e fariseus intrigados e prontos a conspirarem contra Jesus (Jo.11.47-57). 

Este dia é um dia profético, como vemos no trecho, percebemos isso. Ele tava cumprindo muitas profecias, dele Isaías disse: “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta.” (Zacarias 9:9 RA). Jesus marcou o cumprimento da profecia de Daniel: “Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos.” (Daniel 9:25 RA). Jesus cumpriu essa profecia. De Neemias (ver Ne.2.6-8) até Cristo. Temos aqui 445 a.C. a 33 d.C. As 7 semanas mais 62 semanas, são na verdade 7 períodos de sete (anos) e 62 também, ao todo 69 períodos de sete (anos). Totalizando 483 anos (69x7). Sim, de Neemias, aquele que recebeu a ordem para edificar e restaurar Jerusalém em 445 a.C. até Cristo em 33 d.C., o Ungido, essa data é marcada pela sua entrada em Jerusalém. Incrivelmente marcam 483 anos! Basta apenas somarmos 445 + 33 = 476 anos. Onde que dar 483 anos? É porque os anos proféticos da bíblia são contados por 360 dias (ver o caso do dilúvio em Gn.7.11 e 8.4 / 7.24 / 8.3). Assim, temos uma diferença de 7 anos. É só multiplicarmos 483 anos por 360 dias e teremos o total de 173.880 dias. Dividindo pelo nosso calendário anual, conhecido como Gregoriano, de um ano de 365 dias. Teremos 476 anos. Isto é, 476 anos bíblicos equivalem a 483 anos no nosso calendário.

Jesus estava ciente disto, tanto que ele percebe que é chegada a sua hora, e que, conforme o profeta Daniel havia predito, ele seria morto: “Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas.” (Daniel 9:26 RA). Observe que todas essas profecias de Daniel se cumpriram: a morte do Ungido (Cristo, Mashyach), foi o que aconteceu dias depois; a destruição do santuário (templo de Jerusalém) em 70 d.C., e até o fim haverá guerra, até hoje Israel vive em constantes conflitos.

Diante deste cenário profético da entrada de Jesus em Jerusalém, que marca as 69 semanas de Daniel, esse momento de Jesus nos traz lições preciosas:

1a Lição: Crendo em Jesus sem precisar de sinais (v.17-18).
“Dava, pois, testemunho disto a multidão que estivera com ele, quando chamara a Lázaro do túmulo e o levantara dentre os mortos. Por causa disso, também, a multidão lhe saiu ao encontro, pois ouviu que ele fizera este sinal.” (João 12:17-18 RA).

Aquela multidão que cercava e recebia Jesus com ramos de palmeiras e com brados de “Hosana” (sê propício; salva!) só estava ali por causa do que viram, e por isso creram nele. Infelizmente muitos são assim, precisam ver para crer. Porém, não era e não é isto que Jesus espera dos seus verdadeiros discípulos: “Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu! Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.” (João 20:28-29 RA).

Porque você crê em Jesus? Porque algo de bom ele te deu? Porque houve um sinal em que Deus confirmou pra você que Jesus é o salvador? Porque os enfermos são curados? Ou porque simplesmente você acredita?

Temos que aprender a crer para depois ver. Quando invertemos isso estamos fazendo prevalecer a razão humana e não a fé. Uma fez que a razão humana tem um campo limitado, inferior a razão divina, não é capaz de mensurar ou discernir o divino, torna-se necessária a fé. O meio pelo qual somos salvos e entramos em um contato com Deus. (Confira: Rm.5.1; 10.17; Ef.2.8; Hb.11.1,6).

2a Lição: Jesus é salvação para todos os povos (v.20-23).
“Ora, entre os que subiram para adorar durante a festa, havia alguns gregos; estes, pois, se dirigiram a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e lhe rogaram: Senhor, queremos ver Jesus. Filipe foi dizê-lo a André, e André e Filipe o comunicaram a Jesus. Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem.” (João 12:20-23 RA).

Os gregos que se encontravam naquela ocasião estavam interessados em conhecer Jesus. Queriam entrevistá-lo, esse é o significado da frase: “queremos ver Jesus”. Logo que recebe de seus discípulos Filipe e André ele diz: “chegou a hora de ser glorificado o Filho do homem”.

O que estamos fazendo para que Jesus chegue a todos os povos? Como podemos levar Cristo aos confins da terra? Será que não privamos Jesus das pessoas?

Não há coincidência, Jesus padecer na véspera da Páscoa há uma grande prova do amor de Deus por todos os povos. Pois nesta festa, muitos gregos, gentios (não judeus) de toda parte vinham para Jerusalém. Portanto, Jesus derramou o seu sangue por todos, daí a sua ênfase que a hora estava chegando. Isto é, a humanidade estava ali presente para receber por meio de Cristo todos os benefícios da sua morte e ressurreição.

“E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo.” (João 12:32 RA). Salvação é aproximação de Cristo, além de ser através dele. (Moody). Não recebemos apenas a salvação, mas no aproximamos de Jesus, de Deus. Como alguém já havia dito: “salvação não é doutrina, é Jesus”.

3a Lição: A morte é a chave para a frutificação espiritual.(v.24,25).
“Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna.” (João 12:24-25 RA).

Jesus sabia que sua hora tava chegando. Os gregos estavam entre eles, os judeus estavam divididos entre os que criam e os que não. Tudo corria como Deus assim havia predito pelos seus profetas. Então ele pronuncia uma das maiores frases de sua vida aqui na terra. Uma se aplicava a ele mesmo (v.24) e outra a nós (v.25). A primeira aponta para sua morte, que produziu filhos espirituais em toda parte do mundo. E para isso, foi preciso ele morrer. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (João 1:12-13 RA).

A segunda aponta para nós. O mesmo princípio se aplica aos seus discípulos. Precisamos ter o averso do amor pela própria vida para que venhamos a frutificar espiritualmente, e por fim a vida eterna. Isto é, a glorificação de nosso corpo mortal. A comunhão plena e perfeita com Deus. O fim dos sofrimentos e todas as mazelas do pecado. “Aquele que procura ajuntar à sua volta aquilo que é perecível, acaba perecendo junto; aquele que se despoja de tudo aquilo que só pertence a este mundo, prepara-se para uma vida mais elevada”. (Westcott).

4a Lição: Seguir Jesus envolve servi-lo. Ele se faz presente por meio dos seus servos. Que na eternidade estarão com ele. (v.26).
“Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará.” (João 12:26 RA)

Jesus deixa outra grande frase para os seus discípulos. Uma lição grandiosa para todos nós que o recebemos em nossas vidas. Não existe palavra tão confrontadora como essa. Tão definidora de quem é quem. Se somos ou não de Jesus. Ele deixa essa frase depois de tomar conhecimento de que os gregos o procuravam. Em outras palavras Jesus disse: todos me procuram? Pois digam a eles que se querem me seguir tem que me servir. E por onde eles forem será eu presente naquele lugar. E quando eu estiver presente com o meu Pai no céu e na eternidade, lá eles estarão também.

Não há nada mais sublime do que isso. Servir Jesus, ser Jesus onde precisa, estar com ele, onde ele estiver. Glória a Deus.

“E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.” (João 14:3 RA).

“Quem vos recebe a mim me recebe; e quem me recebe recebe aquele que me enviou.” (Mateus 10:40 RA).